
EMPATE SABOR DERROTA.
A lista de desfalques para o jogo contra o Atlético Mineiro preocupava e o que aconteceu no jogo, pelo menos na primeira etapa, não foi muito diferente do que eu imaginava.
Uma defesa sem proteção e um meio de campo vulnerável com o cansado Petkovic, tornaram as coisas ainda mais difíceis para o Peixe no duelo que leva um tabu de 59 anos sem derrota para o time de Minas na Vila.
Em uma infelicidade do zagueiro Marcelo, que espanou um chute contra o próprio gol, o Atlético saiu na frente. A partir daí, só deu Galo. O Santos sentiu e o meio de campo que já estava desfavorecido, se perdeu completamente.
Antes do término do primeiro tempo, o técnico luxa ainda tentou consertar a casa fazendo o de sempre: Kléber pro meio. O sacrificado dessa vez foi Dionísio.
Vítor Júnior e Renatinho voltaram para o segundo tempo que prometia. E o como é de praxe, a etapa final foi do Santos. Antes de perder a paciência com os passes errados do Marcos Aurélio, ele cai na área… pênalti. Para espantar de vez a urucubaca, Kléber Pereira bate e empata… camisa 23, nunca mais!
O Peixe realmente acorda e Pedrinho parece ter tomado energético com cafezinho no vestiário. Com rápidas jogadas pela ponta, cria a maioria das chances de gol que pára apenas na boas saídas do goleiro Juninho.
Em uma jogada que misturou habilidade, sorte e um pouquinho de disenteria, Kléber Pereira faz um golaço driblando até ele mesmo na virada do Peixe… Santos 2, Atlético… ops, nao deu nem tempo de comemorar. O que e isso? outro gol contra? Em uma bola levantada na área, todo mundo ficou olhando e Baiano desvia de mão para o fundo do gol de Felipe… 2x2.
Com os 4 minutos de acréscimo do juiz, parecia que ainda dava tempo, mas infelizmente o goleiro Atleticano estava em grande tarde. Se não fosse os gols contra e as grandes defesas dele, no mínimo uns 4x0.
Podiamos estar mais cômodos na tabela, mas mesmo sem perder posições, o Santos desperdiçou 1 dos 2 jogos que restavam em casa. Agora é rezar pela conquista de alguns pontos fora e se manter entre os 4.
Ps. Parabéns ao São Paulo e seus torcedores pelo título antecipado.

A COPA DO MUNDO É NOSSA!
E AS BOLAS FORA TAMBÉM.
“O Brasil chorou quando você marcou aquele gol de pênalti”.
Luis Inácio Lula da Silva se referindo a penalidade desperdiçada por Platini contra o Brasil na Copa de 86.
JOGO DE UM TEMPO.
O Goiás foi à Vila Belmiro disposto a jogar no contra-ataque e congestionou o meio de campo como qualquer adversário que vem jogar contra o Santos.
Foi um primeiro tempo truncado com o Peixe teimando, mais uma vez, penetrar a defesa pelo meio, o que gerou raríssimos lances de gol.
Já na segunda etapa, a história foi outra. Com Pedrinho e Vítor Jr. em campo, o Santos ganhou mais mobilidade e explorou as jogadas pelas pontas.
Não demorou muito para o zero sair do placar e em jogada individual, Pedrinho acertou um belo chute cruzado que caprichosamente ainda bateu na trave antes de entrar.
Mas não foi só isso que melhorou no segundo tempo. Além do lindo gol de Tabata e o terceiro de Vítor Jr, ví um Santos diferente, com toque de bola, envolvendo o Goiás e principalmente, um time mais vibrante.
Fábio Costa faz uma defesa milagrosa e em seguida, é recompensado com um caloroso abraço de Kléber. Domingos afasta uma bola perigosa e Fábio Costa retribui com o mesmo gesto.
Não sei o que acontece nos intervalos dos jogos do Santos, mas gostaria de ser uma mosca para saber. E como é de costume sempre ver um primeiro tempo morno, não foi novidade ficar bocejando mais uma vez até o final dos 45 minutos iniciais.
Destaque para as atuações de Dionísio e Tabata. Mostraram muita disposição e movimentação, juntamente com Rodrigo Souto, mas este último é comum a entrega em todo jogo.
O jejum de gols de Kléber Pereira é preocupante. Depois que o próprio pediu a camisa 23, não marcou mais. Isso porque, segundo ele, o número que eternizou o maior jogador de basquete do mundo, lhe traz sorte. Imagine se trouxesse azar.

UMA PINTURA DE GOL!
O templo sagrado do futebol recebeu uma justa homenagem nesta última semana. O artista plástico e torcedor fanático do Peixe, Paulo Consentino, reproduziu a imagem da Vila Belmiro, sob sua ótica, e teve a honra de ser o responsável pela decoração do muro da Escola do Rei em Santos.
"O layout foi desenvolvido a partir da junção de imagens digitais de minhas obras e um desenho dos jogadores que havia feito meses atrás. Acabei decidindo usar uma foto antiga para dar uma aura imortal aos personagens... Como se eles precisassem disto." - Completa o artista.

67 ANOS DO MAGO, DO FENÔMENO, DO IMPERADOR, DO PRÍNCIPE, DO MAESTRO, DO DIAMANTE NEGRO, DO ÚNICO REI DO FUTEBOL.
"Fazer mil gols como Pelé não é difícil. Difícil é fazer um gol como Pelé."
Do escritor Carlos Drummond de Andrade.
"Se Pelé não tivesse nascido homem teria nascido bola."
Armando Nogueira, jornalista.
"Pelé é o único que ultrapassa os limites da lógica."
Yohan Cruijff, atacante holândes.
"O maior jogador de futebol do mundo foi Di Stefano. Eu me recuso a classificar Pelé como jogador. Ele está acima de tudo."
Puskas, atacante húngaro.
"Senti medo, um terrível medo quando vi aqueles olhos. Pareciam olhos de um animal selvagem, olhos que soltavam fogo."
Overath, jogador alemão.
"Depois do quinto gol, tivemos vontade de parar e aplaudi-lo."
Sigge Parling, zagueiro sueco na final da Copa do Mundo de 1958.
"Eu disse para mim mesmo antes do jogo: ele é feito de pele e ossos como qualquer um – mas eu estava errado."
Tarcisio Burgnich, marcador italiano falando sobre suas impressões ao saber que marcaria Pelé na final da Copa do Mundo de 1970.
"Como se pronuncia Pelé? D-E-U-S!"
Manchete do jornal inglês Sunday Times após a final da Copa do Mundo de 1970.
"Pelé desequilibrou o mundo."
Gilmar, goleiro brasileiro.
"Pelé jogou futebol por 22 anos, e neste tempo ele fez mais para promover a amizade e a fraternidade do que qualquer outro embaixador em qualquer lugar."
J. B. Pinheiro, embaixador brasileiro nos EUA.
"Oi, eu sou o presidente dos Estados Unidos. Você não precisa se identificar. Todo mundo sabe quem é Pelé."
Ronald Reagan, ex-presidente dos EUA, em encontro com o rei do futebol.

SE VACILAR, PODEMOS DAR ADEUS À VAGA PARA LIBERTADORES E AO KLÉBER.
O Palermo da Itália está disposto a levar o lateral da Seleção e do Santos embora, pela quantia de 11 milhões de reais.
Diferentemente da transação envolvendo Cléber Santana, que não rendeu um tostão sequer aos cofres do Peixe, o lateral Kléber tem seu passe vinculado ao clube, que poderá usá-lo como principal fonte de dinheiro para uma futura reformulação de elenco em 2008.
O que não é uma má idéia, se formos reparar no Pet jogando bola. Não dá, desculpe, mas não dá.
Já vacilamos tudo que podiámos no começo do campeonato, quando ainda disputávamos a Libertadores, mas agora chega né?
O time teve uma sequência boa de vitórias que levou o Peixe ao topo da tabela, e um tropeço fora de casa como no jogo de ontem, é até compreensivo. O que não dá o direito de relaxarmos agora, bem na reta final.
O Santos tem boas chances, mas não podemos esquecer que o Grêmio está logo atrás e babando por essa vaga também.

PATRIMÔNIO HISTÓRICO.
Sou São Paulino, e muito! Tanto que ontem tive um ataque de inveja. Invejei até não mais poder meu parceiro de trabalho ao ver o ataque dos sonhos, dos meus, de todos que não viram e de todos que queriam ter visto, comemorando, revivendo. Assim como voltei a morrer de inveja na quarta-feira ao assistir o jogo da Seleção, que só leva essa letra maiúscula por causa dele, Robinho, que tanta inveja também me causou de 2002 a 2004.
Por que na Vila e não no Morumbi? Porque só na Vila um raio cai duas vezes!
De lá é o Rei do Futebol e lá também nascerá o Príncipe. Assim quiseram os Deuses do futebol, os Orixás, o Buda, o Destino, há de ser algo esotérico, metafísico. Eles não podem simplesmente brotar das cerpas de tempos em tempos como ervas daninhas que vêm para destruir as defesas e os esquemas de seus adversários!
Zé Roberto, que não é nascido lá, precisou calçar a dez para se transformar, incorporar, receber o toque de Midas ou sei lá o quê. Como a capa para o super-herói, a camisa que nunca deixará de ser de Pelé, deu-lhe habilidades com as quais até então não contava. As demonstrou na Vila e as desfilou pelo Brasil afora, o que não acontece hoje nos gramados europeus.
Existem coisas que só acontecem na Vila (sic).
Tenho inveja sim, inveja aberta, declarada, da boa... No Morumbi descobrimos e forjamos grandes atletas e profissionais vencedores graças a trabalhadores incansáveis e a uma excelente infra-estrutura, a contar de seus antecessores, passando por Telê Santana e agora seu mais confesso discípulo, Muricy Ramalho. O São Paulo Futebol Clube, como conhecemos, e a que tanto amo, é resultado de esforço, trabalho honesto, do futebol levado a sério como parte da cultura e da vida de nosso povo. Tivemos, temos e sempre teremos grandes craques, nem que seja necessário comprá-los, curá-los e transmutá-los. Mas que jamais serão Czares da bola.
A realeza de Robinho é nata, como é a de Édson, o Pelé. São Paulino nenhum deveria esquecer-se que, em dia de Morumbi lotado, com o Santos F.C. ganhando, ao marcar seu gol, o novato Diego foi sambar sobre o escudo de nosso clube. Nobre, Robinho, entendendo a reação das mais de 40 mil pessoas que esbravejavam contra o dez santista, o puxou, o tirou dali, e ambos saíram correndo e comemorando. A mesma torcida que vaiava Diego, aplaudiu Robinho!
Isto é ser nobre, este é o Rei do Drible e, hoje, o Príncipe do Futebol. É disto que devemos ter inveja, aquela da boa e não esta que produz imitações baratas e tardias, né Perrone?!
Para o bem do futebol do Brasil e do mundo, que a Vila Belmiro continue abençoada e seja eterna. E que nem sempre vençam os melhores.
Escrevo em homenagem à Pelé, Coutinho, Pepe, Mengálvio e Cia. À Vila Belmiro e a toda a galera da baixada. E, acima de tudo, à Mauro McFly, meu novo parceiro, que é santista de raiz, mas que, com certeza, tem sim alguma inveja inconfessa do Tricolor Tricampeão Mundial!
Nação Santista, está deflagrado o movimento pelo tombamento da Vila Belmiro, que deve, desde já, ser considerado Patrimônio Histórico. E a continuar assim ou surto, infarto, ou até mesmo morro de inveja! Da boa...
Rubens Guarnieri
São Paulino e Redator e colaborador da Editora Abril
O FUTEBOL ESTÁ CADA VEZ MAIS, AMERICANO.
Olho roxo, cabeça rachada, nariz quebrado, dentes a menos, hematomas e até mortes.
Infelizmente, este é o saldo ao final de partidas de um esporte que a cada dia, se torna mais violento.
No futebol de hoje, a técnica perdeu espaço para a força física e a força física, na maioria das vezes exagerada, extermina qualquer tipo de talento. A bola é o objeto disputado com a mesma insanidade que o faminto persegue o prato de comida e os que a possuem por no máximo, alguns segundos, procuram uma maneira desesperada para se livar dela, temendo sair de campo direto para o hospital. Quando os outros 10 jogadores somem de vista, aí é um show de chutões, rifas, balões, orelhadas e tudo aquilo que a gente está acostumado a ver.
A batata quente, mais conhecida como bola, sempre foi o elemento mais desejado dentro de campo, mas ao mesmo tempo, hoje ela aterroriza a maioria dos jogadores que ainda usam apenas um par de caneleiras como proteção.
O Kérlon do Cruzeiro criou o drible aéreo da “foca”, inovando nas maneiras de escapar dos adversários, mas encontrou pela frente um tal de “coelho”, que podia ser chamado de “boi louco”, com sangue nos olhos e repetente desde criança em educação artística.
Robinho e suas pedaladas sempre enfrentava jogadores repórteres com suas mesmas perguntas: - E aí, vai jogar bola ou vai ficar de palhaçada?
Existe também, aqueles que estão no futebol por falta de opção, o pai obrigou acordar cedo e ir à peneira, ou até mesmo, porque eram fãs da série “Mortal Kombat” e sonhavam ganhar a vida aplicando “Fatalitys” nos inimigos. Que tal um duelo Gávilan x Sandro Goiano no Playstation?
Muitos discutem mudanças nas regras para amenizar certas coisas que temos visto ultimamente, onde a maior expectativa antes dos jogos, não é para saber quem sai de campo vencedor, e sim, quem sai de maca.
Um jogador a menos para abrir mais espaço, jogador expulso com mais de 5 faltas, armaduras e escudos além de chuteiras e caneleiras, rede de vôlei no meio do campo ou 22 bolas para cada um ter a sua… Para ser mais claro, acho que não adianta qualquer atitude desesperada para resolver o problema da extinção do futebol e sim, todos se conscientizarem que o esporte mais popular da planeta é baseado em arte, dom e talento.
Meu técnico de escolinha uma vez me disse: - Se você não tem nada pra fazer, pegue uma bolinha de tênis e fique batendo contra a parede. Isso te dá mais controle de bola e apura sua técnica e reflexo.
Não era à toa, principalmente, depois que eu passei a dar 10 voltas em volta do campo após os treinos, achando que se chegasse nos coleguinhas igual um trem sem freio resolveria o problema contra aqueles girinos elétricos que faziam o que queriam com a bola.
- Se você quer bater, te transfiro para o Judô do clube agora, entendeu?
Saber perder é uma virtude e tomar um drible desconcertante, não é ser humilhado. Mesmo que você fique sem a graça que seu adversário lhe tomou.
O que ví ontem no Maracanã foi a luz que sempre quis enxergar neste túnel tão extenso que se encontra o futebol.
Qual santista não se lembrou de 2002 no quarto gol da seleção? Me levantei do sofá e sozinho bati palmas, assim como todo ser vivo que assistiu a jogada fez ou desejou fazer. Reverenciando o talento puro de um menino que deve ter treinado muito com bolinhas de tênis, cheio de orgulho por ser meu conterrâneo e repleto de esperança em ver a seleção do Equador, que mesmo tomando de 5 e saindo de campo com alguns jogadores com desvio na coluna, não precisou dar botinada em ninguém. Reconhecendo apenas, a superioridade do adversário com dignidade, admiração e respeito.
MAIS UM CLÁSSICO, E NADA.
É nítido que o Santos é um, com Maldonado e Kléber, e outro, sem seus dois principais jogadores. O time perde qualidade no passe, distribuição de jogo e principalmente, entrosamento.
O que me deixa mais inconformado é que o Dunga sequer relacionou nosso lateral para o banco de reservas no jogo de comadres de ontem em Bogotá e o volante chileno só entrou no finalzinho do segundo tempo na derrota para a Argentina.
Santos e Palmeiras fizeram um duelo direto por uma vaga pela Libertadores com casa cheia, chuva e um bocado de passes errados.
O Caio Jr. Armou um time ofensivo e começou melhor a partida explorando o lado esquerdo, justamente onde debutava o menino Tiago por causa das ausências de Kléber e Carlinhos. Mas até que o garoto se saiu bem. Demonstrou confiança, um chute forte e é claro, o nervosismo comum de qualquer estréia.
A estratégia palmeirense de polemizar o assunto “Valdívia”, deu tão certo que fez o goleiro Fábio Costa esquecer que o meia Caio pega muito bem na bola, inclusive nos escanteios... Tudo bem, não se pode elogiar.
No intervalo, Luxemburgo como não é bobo nem nada, percebeu o placar adverso e teve uma idéia:
- Alessandro vem cá baralho! Toma essa Biotônico que o Melo preparou e corre meu filho! Não pára de correr entendeu? Vamos virar esse jogo tá certo? Baralho!
As jogadas de velocista do lateral direito foram tantas que resultou no gol de empate do iluminado Renatinho.
Um ponto não era o saldo mais esperado deste clássico, mas com os empates de São Paulo e Cruzeiro, até que a tabela não sofreu alterações bruscas e ninguém saiu do lugar. Exceto o Palmeiras, que agora não está mais entre os quatro primeiros.
Não posso encerrar este texto sem comentar a entrevista mais cretina que ví nos últimos anos. Ao ser questionado sobre o resultado do jogo da seleção brasileira, o técnico Dunga deu a seguinte resposta:
- Foi um jogo difícil com vários fatores contra, chuva, jogar fora de casa, longe do Brasil...
Longe do Brasil? Qual jogador que estava em campo ontem, joga no Brasil? Só se for o Ferreira da Colômbia que é do Atlético Paranaense.
Chuva? O Vágner Love joga na Rússia e as vezes, até com neve.
Um jogo de comadre, onde o goleiro Júlio César tomou amarelo por cera e todos tocavam a bola de lado deixando o tempo passar, o problema foi a chuva? Jogar fora do Brasil? Só pode ser piada...
NA TRAVE!
Petkovic e Nico McBrain (baterista do Iron Maiden)

Maldonado e Marcelo Rios (tenista)
Mauro McFly nasceu em Santos/SP há 30 anos e aos 16, largou as categorias de base do Santos F.C. para ser publicitário. Freqüentou as melhores escolas públicas da região e hoje coleciona passagens por importantes agências de propaganda entre Santos e São Paulo como diretor de arte. Em 2001, venceu o Prêmio Apple de Criatividade e um ano depois, foi escolhido para integrar a delegação nacional Young Creatives no Festival Internacional de Cannes na França.